"Espaço para a Manifestação Artístico-Cultural e Convivência dos Interessados em Compartilhar Experiências, Opiniões e Trabalhos Afins"

segunda-feira, maio 04, 2009

EFÊMERA FUGA (Diáspora)

A diáspora é - em termos literais - uma fuga em massa; algumas são de conhecimento comum: Os Israelitas fugiram do Egito, os Índios Sioux, da fome da Sibéria, os Sheerokees, da sanha de conquista dos europeus e o Sertanejo, - que foge ainda hoje - da seca Nordestina, da indiferença ostensiva dos poderes, “competentes” (?!) e da crassa exploração do trabalho semi-escravo, fonte inesgotável da gorda mais-valia que sustenta a opulência dos empresários da miséria. A esperança do povo que se desloca é, distanciar-se o mais possível, do flagelo que os aflige e atingir - se possível - outras seguras e abundantes terras; e poder estabelecer-se assim, à custa do suor dos próprios lombos, - sobre o qual deveria ter sagrado direito inalienável, embora assim não seja - poder consumir com dignidade e relativa paz, o pão diário da sobrevivência. Excetuando-se a minha querida e linda gente nordestina, cujo êxodo se processa em blocos de intermináveis levas daquilo que, apropriadamente poderíamos batizar de: Desesperados-com-sonhos; e os refugiados de todas as guerras, - que Deus se compadeça! – tentando por quaisquer meios, distanciar-se o mais possível da carnificina imunda com que os homens de poder justificam, (?!) sua imperdoável crueldade; amontoados em monturos, denominados, “refúgios,” por aqueles que auto-intitulam-se “ajuda humanitária”, mitigando uma sobrevida subjacente, em condições subumanas que, aviltam ao mais baixo nível, o trabalho da mão do criador. Excetuando-se essas tristes e doloridas verdades, - entre outras - em geral, a massa retirante não erra a esmo, sem uma clara direção previamente estabelecida e um objetivo específico enquanto povo, porém, dentro desse – digamos assim – arranjo de corpo coletivo, existem as histórias individuais. Se nos dispuséssemos, a discerni-las, uma vida não nos seria suficiente para descrevê-las ou mesmo imaginá-las; e como na história humana a exceção é a regra, posso descrever-lhes com certeza, apenas uma história de feliz exceção: A de um retirante nortista sonhador e só, que, tendo buscado o óbvio refugio da enfumaçada e rica São Paulo, (a esquina do mundo!), depois de ter ricocheteado indefinidamente por inúmeras paragens, foi acolhido em afável regaço maternal, por uma gente acolhedora, solidária e cordata; tanto que, houve por bem a esse estranho e belo povo, apelidar sua morada de: Feliz Cidade! E hoje, com o espírito em paz de remida contrição, passeio pelos altos deste lugar, o qual me foi permitido chamar de meu! Venho namora-te cidade minha; venho beijar-te com meus olhos apaixonados e acariciar-te com minha pena pobre, porém, fértil; e num orgasmo que vem da alma despejo em ti, a graciosa tinta de minha eterna gratidão! No sopé metálico do Chicão Padroeiro, vejo a Rui Barbosa - exibida moça bela - em um permanente fluxo de vida; carros apressados, pregoeiros de mercadorias várias, o colorido das vitrines e as belíssimas raparigas bem vestidas, exalando de maneira excitante, o perfume sensual da juventude! (Os raios candentes de teu sol-poente me banham, em bênção de prazer e luz!). Oh! Mas, que maravilhoso lusco-fusco! Álacre algazarra de uma massa de gente que se prepara, para uma outra fuga, porém, efêmera e feliz diáspora figurativa das merecidas férias de final de ano, mas que, depois a ti refluem, em doce desejo de feliz saudade, neste lindo começo de estação. Sim, teus amantes e amados filhos – legítimos ou adotivos - para ti retornam, minha Assis querida; retornam com revigorado espírito e coração saudoso, à rotineira paz do cotidiano que, somente aqui, poderiam desfrutar da maneira mais plena! Hão de sempre ser bem vindos todos, em feliz regresso, vós, filhos e donos desta boa terra que, antes de ser propriedade vossa, é nosso regaço bendito de mui extremada e generosa Mãe, tanto deste sofrível autor de parca pena, como de tantos outros inúmeros e agradecidos filhos! Max Costa
Jornal Diário de Assis, 13 Dez 08

3 comentários:

Sissym disse...

Max, seus elogios simplesmente me deixaram extasiada! Eles me apetecem. Fico lisonjeada por gostar do que escrevo.
Dizem que minha voz também é melífua!
Beijos.

CavaleiroVirtual disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
CavaleiroVirtual disse...

Salve, minha querida Confrade!
O mérito aos elogios é exclusivamente seu, caríssima dama! O Cavaleiro Virtual apenas evidencia, a constatação natural daquilo que você é em seu todo, uma linda criatura, no sentido mais amplo da palavra. quem sabe um dia, eu poderei desfrutar o priviliégio ímpar de deleitar-me com suas melífluas palavras de sensibilissima poetisa.
Te deixo um abraço terno!
Este sempre teu Confrade: Max Costa

Postar um comentário

Template - Dicas para Blogs