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domingo, junho 28, 2009

Vídeo da semana 0005

Cultura Popular
Um momento de Cordel!


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Literatura de Cordel

A história dos livros ou manuscritos oficiais e oficiosos sobre a Literatura de Cordel, guarda uma série de informações já tantas vezes repetidas, outras rebatidas, mas todas contidas na administração do conhecimento presente, até que se conte algo mais recente.
Sob este telhado ampara-se a informação de que esta literatura surgiu ainda na idade média, na Europa, com o advento da tipografia. Alemanha, França, Espanha e Portugal, registram o aparecimento do cordel, embora outros países europeus tenham também produzidos os seus folhetos populares. Contudo, a designação Literatura de Cordel foi dada em terras lusas.
Esta parte da história é rica e importante, mas a que nos motiva, neste momento, é a que está dentro de casa: nas barrancas das terras brasílicas, no entranhado poético do Nordeste viril, nos Sertões abrasados de loas e luas pra poeta nenhum botar defeito. Eito de gente que sonha desde quando começa a viver. Poeta no Sertão não chora quando nasce, diz um verso.
O cordel no Brasil foi incubado nesse ninho, razões propícias para a proliferação. Gestação, difusão, parição, ação de versejar embriões do imaginário, elucubrações do pensamento agreste em meio ao esmo da caatinga antiga à civilização.
Pois não, assim chega o cordel ainda despido de nome; chegou por dentro, dentro da alma, do peito, num efeito melódico e apaixonado de querer se expressar, se deixar cantar do homem a intimidade, pois que à distância do canto não haveria jeito de contar. Galopar em sonhos, atirar-se à solta da poesia Maria, mulher invisível que arrebata um homem aparentemente rude à tão singela expressão.
Esse foi o cacimbão que o cordel mergulhou. Chegou aqui de forma oral através de histórias rimadas, mas deitou-se à cantoria do violeiro improvisador. Depois ganhou páginas lá pra 1893; Leandro Gomes de Barros, paraibano como eu, o primeiro que o editou.
Tinha nome de folheto, folheto de feira, romance, nada que fosse com intuito de se dar nomenclatura, era tão somente para ser chamado por um nome, e só.
E foi no início da década de 60 que estudiosos chegaram ao entendimento que o folheto de feira era a Literatura de cordel encontrada em Portugal. Verdadeiro, sim senhor, agora o folheto também era literatura de cordel, ou cordel simplesmente e vice-versa. As descobertas ligadas à academia pouco ou nada refletia na caminhada dos poetas, que já vinham de muito antes, escrevendo, editando e vendendo seus cordéis em feiras, em pequenas maletas de madeira sobre o tripé, ou deitando-os em esteiras no chão, ou em lonas, ou mesmo na mão como um leque aberto no meio do povo cantando o renovo da improvisação.
Essa história de que: “esses folhetinhos, filho, são chamados de literatura de cordel porque lá no Nordeste eles vendiam pendurados nuns cordões, nas feiras”. Isso nunca foi verdade. É verdade que esse nome é por conta que o cordel era vendido em cordões, sim, mas lá em Portugal, aqui a venda sempre foi feita da maneira acima descrita, ou em tabuleiro de madeira, vestido no próprio corpo em forma de colete, com uma parte para frente, outra para trás.
Hoje são vendidos em barracas, lojas de artesanato, livrarias e em feiras de livro, utilizando-se, inclusive, do método do cordão, porém como referência à história que em Portugal foi prática.
O cordel está vivo e avivado, cada vez mais forte e abrangente, plangente na poesia, corrente na informação, na opinião, no parecer e na ficção; fluente nos desafios das pelejas e no registro da história. O cordel robusteceu-se, tomou destino próprio de nunca morrer.
Texto de: IBAC - Instituto Brasileiro de Arte e Cultura
Texto escrito por: Abdias Campos

Martelo Agalopado apresentado por ocasião da semana de lingüística da UNESP - Assis.
Canto Sertanejo
Fragmento

É bom que eu peça, no premeramente,
A esse meu povo bastante letrado,
Que arrejumente do tento na mente,
Vosso s’ovido diver’acertado,
Apois o cordel que eu arremesso
Como um servidô da prosa e do verso,
De meu solitáro sertão vai dizê;
Tod’essa minha capenga falança,
Pode se dá de num tê importança,
Pra todo esse vosso grande sabê.

Que muita bem pôca é nossa curtura
Lá no meu triste nordeste matuto,
Além do que nóis num tem a fartura,
Desse muito vosso estudo batuto;
Entonce os dotô se num acentá,
Vossa instruida atenção pá oiá
O galopejá de toda a Históra,
Todo o trabai que é de amostrá,
As rica coisa que trago de lá,
Vai sim se apagá de vossa memóra.

Embora que ante de se cumeçá
Esta narração que é verdadêra,
Que é do vivente do além de lá,
O dono da fala mai brasilêra,
Vamo’esporeá nossa galopada,
Der’no comecim da fina meada
Que é mór de assim, os dotô intendê,
Cuma que pode um reles berdel
Xôxo virá, portadô do cordel
E também contá do seu paricê.

Inda dois dia, no ante do dez,
Daquele mês que é mês das criança;
Deitado que nem, paxá no viés
Do colo neném da refestelança,
Que quando aquela madama formosa,
Que é dona do verso, é dona da prosa;
Atende pur nome de inspiração;
Vei vino ordená, pá que eu cumpusesse,
Cortante tuada de sonho agreste,
Contando a sina de todo sertão.

Falô p’eu falá da terra do norte,
Contá o caboco do quente torrão;
Do meu sertanejo, o bravo, esse forte;
Penedo seu braço, tenajo é a mão!
Meu verso é sem refinada estudança
De vós que pissui a difici falança,
Que chama o guapo de literaltura;
Eu quis me calá, pois não pissuia,
Na altissima artura da puisia,
Toda muderna inxata istaltura

Mai prá mim ordenô que eu puetasse,
Um martelo que cante a nossa orige,
Que um belo regresso aqui recontasse,
Buscado no eu, causando vertige;
E apesar de que essa esquisitice,
Que eu desconheço é a literatice;
Afirmei pra mim de que fazeria,
Apois gosto de sê fazedô de verso,
A rima tem sido o santo universo,
O maná que alimenta o meu dia-dia!

Foi nessa questão que aprumei o meu tento
E num ritual fiz a alma serena,
No só fui orá, para o céu firmamento;
Pidi o bom Deus pra guiá minha pena;
Apois se fazê rimá cum presteza,
É fito iguár caturá da riqueza;
É ôco de breu, sucavão de penedo;
Se o cantadô rica rima atufaia
Entonce é iguár o cortá da navaia;
O verso é coisa que inté mete mêdo!

Entonce mandei, salvá Zé limêra,
No peito honrei, seu Leandro Gome,
Fiel cantadô das rima premêra,
Nadonde o cordel afirmô o seu nome;
O cego Aderaldo e seu Zé Pretinho,
Honramo tombém, José alves Sobrinho;
Silvino de Lima, que é Pirauá;
Viva Raimundo de santa Helena,
Lá do Assaré, a Patativa serena,
Humilde benção eu venho tomá!

Eu sei que do céu, ricibi o batirmo,
Derna do dia em que eu sô nacido,
Pois na puisia é qu’eu me confirmo,
De vim sobre mim, dom favoricido,
Da sagrada mão, a sentença divina,
Sem mermo intendê, nem a patavina,
Sobre’essa fulana, a dita didática;
Se hoje eu posso dizê essas rima,
Conheça esse dom, mandado de cima;
Foi Deus meu dotô, num foi a gramática.

Eu peço o amparo da linda viola
Que é no sertão, instrumento sagrado!
Pois o própe Deus é quem revigora,
Lá derna do céu, o dedo inletrado;
O doce ponteá, o som vilolêro,
Derna dos canto que vêi mais premêro,
Cuns português, no sertão cantadô;
É obra dos santo, bendito milague;
Peito no chôro, sensive se arde
Só e no longe, pur tê esse amô!

Tudo entonce, foi feito e foi dito?
Meu canto num fala disso mai nada;
Rumbora adiante abrir esse fito,
Pá mór de se entrá, de vez na jornada;
Nóis só vai falá do que s’interessa,
Pros nosso dotô que taõ já cum pressa;
No canto se vai cum tár brevidade,
Pro canto num tê quarqué inrrolança,
Que é mór de num vim caçá imbuança,
Cum essas bramura de otoridade.

Valha-me o tempo que é bicho andejo;
Nunca tem tempo pá se descançá,
No galope vai sem tê um arpêjo,
Vai pelos vazie da históra vagá;
Inquanto ele vai, sinhô soberano,
Meu verso quebrado intão ingalano,
Que é mór de pudê celá no cumêço,
Esta narração nacida primária,
Um fito infeliz da luta diária,
Um auto real, dum causo sem prêço!

Eu vi a lonjura, tempo diprimêro,
Inté mermo tempo, tempo num conta;
Vi seus moradô, sinhô derradêro,
Que as lenda da terra pra eles aponta;
Ante dos tempo chamado muderno,
Num era chegado, pogresso eterno,
Que logo em futuro se açambacô;
Viviam iguár o passar dos vento,
Bebend’uruvai, maná do relento,
Discalço dos pé, pisano as fulô.

Povo do norte, guerrêros timbira!
Gente nativa, premêra da terra,
Ornado de pena e rôpa d’imbira,
Nas preparança da dança da guerra,
Fazeno tremê dos três pé de morro,
Inté nas vazante do rio salôbo;
Tremia de mêdo o sopé do araim,
Grito de luta, trupé de caçá,
Fazia baruio capaz de chegá,
No chão de toá do verde alecrim!

E tempos dispois, chegô de mansim,
O povo oropeu, cum a faca grande,
Os pé imbotado no tal burziguim,
Vei vino de muito a grossa falange;
Fêz misturança no seio da raça,
Véu da beleza no ventre da graça,
Indígena gente, semente minina;
E se misturô, tornou-se vaquêra,
Naceu neste chão nação brasilêra,
Que os novo sinhô chamô nordestina!

Mermo o parir da nova ameríndia,
Se dava cum parte num tratamento,
Iguár paricido ao parto das índia,
Pôco se dava deferençamento;
Quem viu é que sabe do parir de dois,
O cabra que faz é bom, mai dispois,
Tem que ajudá mór de o feito sair;
Tacáva-lhe um trago da boa cachaça!
Que é mór de aguentá na força e na raça,
Dor de lascá dirmenbrando os quadri.

Butando na hora, os quarto no tôco,
Bem mal gasaiada no seu curanchim,
Lamenta a matuta em triste safôco,
Trazendo ao mundo mais um caboquim;
Cas perna pá riba e bem reganhada,
Pra dá seu amparo na pobre coitada,
Marido se achega e ajeita de trás
A moça no ato se agarra na nuca,
Do cabra suado, que nessa sinuca,
Forceia do tanto ou forceia mais!

Lhe segundando, se achega a partêra;
Mão na luzida barriga emprenhada,
Forçando o bruguelo a vim cá na bêra,
Mostra na cara mistura raceada;
Chegado no fim dessa estripulia,
Cai o bruguelim na forrada bacia,
Que pôe a partêra que é mór de apará;
Limpo do parto, imbiguêra cortada,
Já entra no mundo levando parmada,
E segue apanhando sem nunca pará.

Foi tempo de dor, cruel disventura!
Micigenação, mistura famosa
Porém se num cêsse a grande fartura,
O rico filão, da sã terra nova,
Nos porto daqui, ninguém atracava,
Nunca seu dente de ferro cravava,
Na má venturada quinta colônia,
Nem o pau furado do aventurêro,
Dos caramurú, do deus istrangêro,
Se atufaiava na santa amazônia.

Ainda inxestia, mais mata bunita;
Mundo de verde, que nunca tem fim;
Na tarde morrente, a beleza grita,
Nas pena tintada de mil passarim!
A agricurtura era roça do tôco,
E mei atolado im fundão de pau ôco,
Xupé da’sabeia, retirano mel,
Regala da vida o rijo matuto,
Espia calado escutando o macuco,
Tirando a caça do fundo mundéu.

Alí que da vida, vivia tranquilo,
De viés ispichado, na boa tipóia;
Inquanto o pirão ajeitava seu quilo,
Dispois d’inguli, na coité sua bóia;
Num era da lei, nem imporibido,
Pescá de pati, de jiqui cumprido,
Pá mór de bom pêxe, pescá e prendê;
No libertamente, o povo caçava,
Do tanto aspena, só se matava,
Pá mór de trazê, pra casa o cumê;

Se tê a fartura pá toda famía,
Sempre se tinha, de nunca acabá,
Se cumia o tatu, o cateto, a cotia;
Macachêra, caxi, turu, melancia;
Na baixa das águas, vazante do estio
Fazia tapage na boca do rio,
Dava no côfo, mil tipo de Pêxe,
Cumia-se a fartá, o doce do buriti,
Travoso cajú, cajá, bacuri,
Palmito pupunha, tinha de fêxe.

No entonce dispois que chegô a cana,
Golosa tomano de conta de tudo,
Na terra alastrô, virô suberana,
Calou-se o sertão, cessô, ficô mudo.
Tornô-se im coivara esse ôco de mundo;
Logo queimou-se que nem o mufumbo
As rica região que diz fluviá,
Trazeno tod’essa eterna secura,
Torrano no fogo as muita verdura,
Da vegetação que diz siliá.

Foi deste modo que deu-se ca’cana;
Assim tomém se deu cum argudão,
Modo iguárzim nos capão de banana,
Cum fumo, o café devorano o sertão;
E foi-se acabano cum todas mata
E foi-se acabano cum todas caça;
Acabô-se todo o verde do norte;
Gente inricada daqui se arrribô
E pro nordestino, aspena restô,
Terra rachada, marcada de morte.

Terra difunta tod’isturricada,
Brecha de sangue, doído socárco,
Que nem cesse, cabeça esfolada;
Chão ressequido nadonde foi charco,
Vixe qu’eu digo, qu’essa dor é tanta!
Cheg’o coração de dó se abalanca
E o couro da gente inté se arrupêa!
Meus’óio secô, num tem pingo dágua
O peito doído, só geme na mágua
Vendo o secume, as canela bambêa!

Inquanto o sol, de menhã se alevanta,
Na barra vermêia da madrugada,
Lá tempo já faz, que tem lida tanta,
No peito seco da terra cansada;
No premêramente dotô, lhe digo,
Que dêrna daquele tempos antigo,
Que este tão nosso pedaço de chão,
Que uns tempo já foi, celêro da oropa,
Hoje na fome, calado safoca
Sem tê no borná, pedaço de pão.

Muié se alevanta muito bem cedo,
Alí pelo mei do cagá dos pinto,
No truvo se arriba, e num sente medo,
Cumprir a missão que vem no instinto;
De bagage leva, aspena o machado;
Lev’o bruguelim, que vai iscanchado,
E o sarrabujo, se fô de tatu;
Pos côco, o côfo, vai de bandolêra
E entrano vai, pro sem-fim das parmêra
Inté noitecê, quebrá babaçú.

E vai-se tomém, na detardezinha,
Bem pertim do sol, na noite aquetá,
O home da casa, que toma da linha,
No ponto assobe, no seu tijupá;
Cum tição aceso no seu currimboque;
Cuspindo bafora, iguár um badoque;
Fumaceia quente, tangeno musquito;
Ca vara na mão, acolega cum sapo,
Vai a noit’intêra na bêra do charco,
Nos tempo d’agora, o pêxe and’arisco.

Agora dos rie, todo pêxe some;
Eu digo: “Adeus meu sapo cururú!”
Sempre ca véia ganança dos home,
De sabão mataro o itapecurú;
Hoje num véve, só serve d’isgôto,
Branca centina do químico lôdo;
Recebe o veneno dos isportador
Rico que véve da rota miséra;
Deboche cruel, muchôcho, piléra,
Contra meu sagrado, Deus criadô!

Se achegue pra cá, bem perto da fala,
Meu dotozim bem nutrido e cevado,
Se o puéta num berra, o povo se cala
Massa tangida, que nem cêsse gado;
De cá lhe dão, um taco de rapadura
E ainda um naco de carne dura,
Mór de o coitadim, cumê de ração,
Na mão dos coroné, os dono da terra
Que sem sintí dó sua marca lhe aferra
Faz ele votá, currá de’leição.

Os home se achega e bota os guverno,
Promessano as coisa que é paraíso,
Falano bunito: “Que o tempo êrmo!”
Já de tê fim, era fato preciso,
Inté dos pranalto, o seu presidente,
Deu um discurso, divera incelente,
Cum réiva falô da fome, apustema!
O norte todo já sabe que é fita,
A míngua na seca o matuto grita
Nos’óio dá réiva, e no peito pena!

E quem vai salvá, as minina perdida,
Que a trôco da nicra do quase-nada,
Já véve na boca do fazê vida,
Nos baxo dos vão de bêra d’istrada?
Na donde só tem, isperança pôca,
Infiando um home dentro da boca,
E levan’as buneca na outra mão;
Assim dexano seu mundo criança,
Lhe robam o restim da sua infânça
Pagano pur meia pataca de pão?!

Hoje nas veia, do rie véio chico,
Sugano o leite brotado da terra,
Se achega e se abanca, o sulista rico,
Enquanto em sobrôsso e errante só berra,
Os cabritozim que num tem rebanho,
Que é desse povo que nunca tem ganho,
Fruto da terra que nunca tem chão?
Povo que serve de boi de piranha,
Inquanto o rico grandão abucanha,
A parte daquele que é sem tustão.

Foi que nem cesse no mei dum repente,
Que cá se ajuntô um povo inricado,
Mai nada num tem de sê deferente,
Dos tempo de longe lá do passado;
Nos tempo do onte, os barão do café,
Do cacau, e burracha, alambique mé,
Nasquele tempo que lá já se vão,
No hoje é os dono dos shopi, dos vim,
Os barão do artomóve, dos lim,
Que fica inricado cas nossa mão.

Inda mais ôtas muitas de coisa,
O nordeste meu vai tê pá contá;
Mai cuma o tempo, no tempo num posa,
É ave que véve, só de arribá;
Nosso cantá pur aqui vai ficano,
Quem sabe se nóis num vorta contano,
De tudo aquilo que meu sertão diz,
Apois nóis num fala, só de tristeza
Apesá de se aguentá na dureza,
É povo que sabe, tomém sê feliz!

Perdoe meste Duda, o metro capenga,
Perdoe-me tomém, dom Jaime martelo,
O verso quebrado, o vate molenga,
As rima sem rumo, o prumo sem elo,
A triste osadía de sem tê sabê,
Pensá que na pena pissui o pudê,
De querê imitá, vossa maestria;
Coitado dum semi de anarfabeto,
Nunca vai tê cuma seguí de perto,
Nos rasto dos meste, im cordé puisía!

Eu trago no canto, as saga de longe,
E vou cupiano as rima oropéia;
Cuma no verso, Luis do Camonge,
E ôtas de coisa do arco da véia!
Mai se acunticê, dos dotô num crê,
Rambora cumigo, intão mór de vê,
Que é mór de anssim, intendê mai mió,
Lá na secura, sertão de meu Deus!
Ai vai sabê, cuma que véve os meu,
No ôco do norte, lá nos cafundó.

Será que é mermo divera verdade?
Pod’esses dotô querê duvidá;
Desta cantoria e tomém deste alarde,
Que neste cordé cá vim pubricá;
Mai este meus povo que é tud’istudado;
Pissui os seus livro, seus grosso tratado,
Cum todas manera de questioná;
Mai foi eu que sintí no côro e no osso,
A pois eu é que tava junto seus moço,
Eu sei o que conto pur que eu sou de lá!


Cordel escrito por Max Costa
Programação Post: Janus Maxwell

6 comentários:

NHAMUNDÁ ON LINE disse...

Saudações Fraternas!
Amigo MAX COSTA,
Que Maravilha!
Com sinceridade foi o melhor texto que já li sobre a consagrada literatura de Cordel...Confesso que não sabia sobre,Leandro Gomes de Barros...Verdadeiro herói que em 1893, presenteia o povo brasileiro com a primeira edição...
Vídeos de auto nível...
O seu texto é simplesmente magistral!
Um abraço,
LISON.

CavaleiroVirtual disse...

Salve, nobilíssimo e dileto Confrade!
A alma do Cavaleiro Virtual se sente deveras exaltada por vossa congratulação tão carinhosamente efusiva! Eu me sinto de todo recompensado pelo esforço de meu trabalho, pois, o artista vive de aplausos!
A cultura nortdestina é de uma riqueza sem par e a literatura de cordel, assim como outras manifestações primárias de sua formação antropológica, é um dos mais importantes esteios da identidade cultural deste maravilhoso povo sui generis!
Muito obrigado por sempre nos trazer leal e assíduamente a profunda e simpática riqueza de seus valorosos comentários!
Um abraço mui fraterno!
Deste sempre seu Confrade: Max Costa

Antonio Regly disse...

Max,
Fico imaginando como seria Lampião na cavalaria andante e Dom Quixote compondo cordel.
Belíssimo e interessante post.
Abraço do amigo,
Antonio

CavaleiroVirtual disse...

Salve, dileto Confrade!
ahahahah!!! É realmente uma sugestão bastante interessante! Isso dá titulo hein? Vou pensar demorada e carinhosamente no caso, está bem?
Muito obrigado por nos honrar com seu comentário!
Um abração!
Deste sempre seu Confrade: Max Costa

moreijo disse...

amigo estou perplexo com seu cordel ,so tenho elogios e a primeira vez que dou atenção,a um cordel escrito, as veses ouço ,mas não dava a atenção necessária, ate hoje agora prestarei mais atenção...fuiiiiiiiii

Sissym disse...

Max, querido amigo, que saudades! Vim lhe visitar e tive esta maravilhosa apresentação: Cordel! Fiquei exultante com tamanha riqueza. Salve, amigo, que Deus o abençoe.

Bjs

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